Em Sorriso, no Mato Grosso, produtores de soja de segunda safra convivem com calendário apertado. A chuva que deveria ter vindo em maio chegou com atraso e irregularidade. Mesmo assim, cooperativas ouvidas pelo Select Brasil dizem que o fluxo de negócios — contratos de insumo, logística de grãos, manutenção de máquinas — não parou.
«O produtor está mais seletivo, não está expandindo área como em 2022, mas também não travou a operação», resumiu um gerente de cooperativa em Goiás, que atende cerca de 800 associados. Ele estima que 70% dos clientes mantiveram plano de plantio de inverno, ajustando janela e variedade de semente.
Onde o clima pesou mais
Regiões com solo mais encharcado atrasaram entrada de maquinário. Pequenos produtores sem irrigação adiaram plantio de milho safrinha. Já médios produtores com gestão de risco mais sofisticada redistribuíram contratos e usaram seguro rural onde havia cobertura.
Em Rondonópolis, revendas de peças para colheitadeiras relatam demanda estável — sinal de que a frota continua em uso, mesmo com incerteza climática. Oficinas de implementos têm agenda cheia para revisão pré-safra.
Sentimento no campo
O humor do produtor melhorou em relação a abril, quando especulação sobre El Niño gerava ansiedade. Ainda assim, conversas sobre margem são cautelosas: custo de fertilizante e frete continuam no radar. «Lucro não é o assunto da mesa. Sobrevivência com qualidade é», disse um produtor de 1.200 hectares que pediu não ser identificado.
No agro, ritmo não significa euforia. Significa que o trator saiu do galpão e o caminhão ainda tem carga.
Vamos seguir acompanhando cooperativas e armazéns no Centro-Oeste para ver se o ritmo se mantém até a colheita de inverno e como isso afeta emprego sazonal em cidades satélite.