Em Serra Branca, no interior da Paraíba, a fila de candidatos a vaga de técnico em manutenção eólica não é novidade — mas o tamanho da fila mudou. Segundo três empresas de terceirização ouvidas pelo Select Brasil, o número de entrevistas semanais subiu entre 20% e 35% desde abril, quando novos lotes de parques entraram em fase de comissionamento.
O Nordeste já era polo de vento e sol. O que chama atenção agora é a velocidade: enquanto setores tradicionais da região ainda convivem com emprego formal estagnado, renováveis contratam eletricistas, montadores, técnicos de segurança e equipes de operações com salários acima da média local.
Onde a aceleração aparece
No Rio Grande do Norte, usinas solares em fase de expansão buscam profissionais com certificação NR-10 e experiência em campo. No Ceará, eólicas offshore em estágio inicial puxam demanda por soldadores e engenheiros de manutenção. Na Bahia, híbridos sol-eólico ampliam plantão de operação 24 horas.
«Antes a gente disputava candidato com a construção civil. Hoje o candidato nos procura», disse uma gestora de RH de empresa contratada por um grande desenvolvedor, pedindo anonimato porque não está autorizada a falar em nome do cliente.
Gargalos que permanecem
A aceleração não é uniforme. Cidades pequenas sem infraestrutura de hospedagem e transporte perdem profissionais para polos maiores. Cursos técnicos demoram a formar gente em quantidade suficiente. E a sazonalidade de obras ainda cria ciclos de contratação e demissão que desgastam trabalhadores.
Renovável acelerou no Nordeste antes do dado aparecer no IBGE. Quem mora no sertão já sentiu na fila do Sine e no aluguel de kitnet.
O que vamos acompanhar
Nas próximas semanas, o Select Brasil vai mapear como essa demanda se espalha para fornecedores locais — metalúrgicas, transportadoras, cantinas de canteiro — e se o emprego formal gerado se sustenta após o pico de obra. Setor acelerando não significa, sozinho, desenvolvimento equilibrado.