João Pedro, mestre de obras em Santo André, disse que maio foi o primeiro mês em que recusou serviço desde 2023. Não por falta de interesse — por falta de equipe. «Tenho três reformas de apartamento na fila e dois orçamentos de loja comercial esperando resposta», contou, entre uma ligação e outra de cliente pedindo prazo.
O Select Brasil conversou com 14 pequenos empreiteiros e 9 lojas de material de construção na Grande São Paulo. A maioria relata aumento de pedidos de orçamento para reforma residencial e adequação de ponto comercial — não para lançamento de torre grande.
O que está voltando
Reforma de cozinha e banheiro lidera a lista. Em seguida vêm troca de piso em loja de bairro e ampliação de consultório. Grandes construtoras continuam cautelosas com estoque de unidades prontas, mas o mercado de obra pequena — que emprega pedreiro, pintor, eletricista autônomo — esquentou.
Na região da Lapa, uma loja de tintas e ferragens vendeu 12% a mais em maio que na média do trimestre anterior, segundo o proprietário. «O cliente compra menos por impulso, mas o projeto fechado voltou», disse.
Freios que continuam
Financiamento imobiliário para classe média ainda é assunto difícil. Materiais importados pressionam orçamento. E muitos proprietários adiam obra grande até sentir mais estabilidade no emprego.
Retomada na construção paulistana hoje tem cara de reforma de apartamento, não de skyline novo.
Vamos acompanhar se o movimento chega a obras de médio porte e como isso afeta emprego informal ligado ao canteiro.